Uma leitura equivocada levou a Justiça Eleitoral a anunciar 4.352 mudanças; o número foi corrigido para 343. Segundo o presidente do Coptrel, Carlos Roberto Silva, o erro veio da comparação com dados de 2024.
Uma leitura equivocada dos dados levou a Justiça Eleitoral a divulgar, no sábado (17), que 4.352 seções eleitorais teriam mudado de local entre o primeiro e o segundo turno. A informação foi corrigida nesta quarta-feira (21): o número real de seções com alterações entre os turnos foi atualizado para 343, enquanto na terça-feira (20) o sistema chegou a registrar 441 mudanças.
O erro decorreu da comparação incorreta dos dados com os da eleição de 2024, segundo esclarecimento do desembargador Carlos Roberto Silva, presidente do Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (Coptrel). A falha ocorreu quando Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) alimentaram o sistema da Justiça por meio da plataforma ELO, que consolida os dados estatísticos eleitorais.
“Esse número de 4.352 seções alteradas é irreal. Não ocorreram alterações de locais em 4.352 seções do 1º para o 2º turno no Brasil inteiro. Foi uma verificação equivocada desse dado. Esse dado de 4,3 mil seções alteradas é de 2024 para 2026”
afirmou o desembargador Carlos Roberto Silva.
Ao abrir a sessão plenária do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na terça-feira, o presidente do Tribunal, ministro Kássio Nunes Marques, explicou que o sistema inicia a primeira semana após o primeiro turno com o mesmo registro de mudanças acumuladas desde a eleição de 2024, o que exige revisitação e verificação dos dados.
“Há uma necessidade de revisitação de toda a situação anterior ao primeiro turno. Então, ele [o número] vem, muito provavelmente, e é o que está acontecendo, caindo”
registrou o ministro Kássio Nunes Marques.
“No caso do Piauí, no sistema ELO, constam 18, mas o TRE já nos comunicou que apenas quatro locais de votação foram alterados”
completou o presidente do TSE ao citar discrepâncias entre o sistema e comunicações oficiais dos TREs.
As mudanças nos locais de votação são definidas pelos juízes de cada cartório eleitoral — por motivos como problemas climáticos ou de estrutura — e depois informadas ao TRE, que repassa a informação ao TSE via ELO. O desembargador Carlos Roberto Silva, que também preside o TRE de Santa Catarina, ressaltou que ajustes de locais fazem parte da rotina e que os juízes divulgam avisos nos locais antigos e por meios locais de comunicação.
“Os juízes eleitorais divulgam, por todos os meios de comunicação, quando isso acontece e colocam avisos nos locais antigos, onde houve a mudança. Há sempre uma faixa avisando o novo local. Não há prejuízo aos eleitores, não há nenhuma situação de insegurança, é rotina”
disse o desembargador.
O presidente do TRE catarinense acrescentou que novas alterações ainda são possíveis até o domingo (25), data em que ocorrerá o segundo turno, mas que a tendência é de mínimo número de mudanças — em casos excepcionais, como danos causados por evento climático local. Diante das atualizações e da circulação de informações não oficiais, a Justiça Eleitoral recomenda que o eleitor confira o local de votação apenas por canais oficiais: o botão “Onde votar” do aplicativo e-Título e os portais do TSE e dos TREs.
Em termos comparativos, o TSE informou que o total de urnas com local alterado entre o primeiro e o segundo turnos em 2026 representa uma redução de 85% em relação ao observado em 2022.
Com a eleição do segundo turno marcada para o próximo domingo (25), a orientação final é que o eleitor confirme seu local de votação nos canais oficiais antes de se deslocar à urna, evitando links e mensagens espalhadas em plataformas informais.
