A federação disse que o debate exibido em 18/10 virou espetáculo de provocações, privilegiando bordões em vez de propostas. Ela pede revisão das regras eleitorais e mais fiscalização para proteger o interesse público.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e sindicatos filiados manifestaram indignação com a condução e o formato do debate eleitoral promovido pela TV Bandeirantes na noite de 18/10/2026, afirmando que o encontro deixou de ser espaço de apresentação de propostas e esclarecimento ao eleitorado para se transformar em espetáculo de provocações e ataques.
Segundo o documento divulgado pela entidade, o formato prejudicou a informação e o interesse público ao privilegiar bordões e encenações em detrimento do confronto de ideias e da verificação de fatos. A Fenaj ressaltou que houve falhas na responsabilização editorial da emissora, fragilidade nas regras do debate e ausência de mecanismos capazes de assegurar que perguntas sejam respondidas e afirmações falsas sejam confrontadas.
“O jornalismo não pode ser refém da lógica do espetáculo, da audiência a qualquer preço ou das estratégias de candidatos que desprezam o diálogo democrático. Quando perguntas não são respondidas, afirmações falsas deixam de ser confrontadas e argumentos são substituídos por encenações, quem perde é a população brasileira”.
No texto, a Federação reconheceu a trajetória dos profissionais responsáveis pela mediação, mas questionou a responsabilidade editorial da emissora e a necessidade de regras que garantam informações relevantes, fundamentadas e passíveis de verificação. A entidade argumentou que tempo igual de televisão não basta se faltarem mecanismos para exigir respostas objetivas.
“Não basta oferecer tempo igual aos candidatos. É indispensável garantir informações relevantes, fundamentadas e passíveis de verificação”.
A nota também alertou para o risco de neutralidade diante da desinformação, afirmando que a falta de confronto a mentiras pode contribuir para sua legitimação. A Fenaj destacou que é grave quando debates favorecem slogans e ataques pessoais, relegando temas como saúde, educação, emprego, renda, desigualdade, segurança, soberania nacional, meio ambiente e direitos sociais a segundo plano.
“É grave quando um debate favorece slogans e ataques pessoais, relegando a segundo plano temas fundamentais como saúde, educação, emprego, renda, desigualdade, segurança, soberania nacional, meio ambiente e direitos sociais”.
Entre as reivindicações apresentadas, a Federação defendeu que as emissoras revejam os modelos de debates eleitorais, adotando regras efetivas que assegurem respostas objetivas, intervenção editorial diante de informações comprovadamente falsas e responsabilização pelo descumprimento das normas. A nota sublinhou que a medida não visa cercear o contraditório, mas garantir o direito constitucional à informação de qualidade e impedir que a desinformação comprometa a liberdade de escolha.
“Debate eleitoral não é entretenimento. Jornalismo não é espetáculo. Democracia não se constrói com mentiras”.
Ao concluir, a Federação reafirmou compromisso com a liberdade de imprensa, a ética profissional e a defesa da democracia, e convocou empresas de comunicação, profissionais e entidades representativas a reafirmarem princípios éticos do jornalismo e a tratarem a informação como direito da sociedade, não como mercadoria.
