Pesquisa com 5.296 alunos do 6º ao 9º ano e do ensino médio mostra que 25% cobram mudanças na aprendizagem. Eles pedem aulas mais dinâmicas, capacitação docente e menos faltas de professores.
Melhorias no ensino e na aprendizagem são a principal expectativa de pelo menos um quarto dos estudantes do ensino médio em relação aos governos que se iniciam em 2027. O levantamento ouviu 5.296 alunos do 6º ao 9º ano (fundamental 2) e do ensino médio, em todas as cinco regiões do país, e aponta a relação direta entre qualidade do ensino e atuação dos professores.
Mudanças apontadas pelos estudantes
- Aulas diferentes
- Dinâmicas em salas de aula
- Capacitação de professores
- Menos faltas de professores
O estudo perguntou aos jovens sobre aprendizagem, atuação docente, educação profissional, uso da tecnologia e educação em tempo integral. Em relação à explicação dos conteúdos pelos docentes, os dados mostram forte associação com a avaliação geral da escola: entre os estudantes que dizem que os professores explicam bem os conteúdos, 75% avaliam a escola como boa ou ótima; entre os que afirmam que os professores não explicam bem, esse percentual cai para 48%.
“É um dado que ajuda a reforçar onde deve estar a prioridade absoluta da política pública nos próximos anos: na aprendizagem.”
“[Nesse contexto], o país precisa acelerar muito o ritmo de crescimento dos indicadores de qualidade educacional.”
Sobre motivação docente, 78% dos estudantes do fundamental 2 consideram que os professores estão motivados para dar aulas, ante 69% entre os alunos do ensino médio. A ausência de professores aparece mais frequente no ensino médio: 66% concordam totalmente ou em parte que “há disciplinas que ficam um tempo sem ter professor”, contra 61% no fundamental 2.
O interesse por formação técnica também é expressivo: mais de 90% consideram importante ter oportunidade de fazer curso técnico ou profissionalizante durante essa etapa da educação. O dado contrasta com o alcance atual da educação profissional e tecnológica: segundo o Censo Escolar 2025, cerca de 20% dos estudantes do ensino médio estão matriculados na educação profissional.
Quanto ao uso de tecnologia, 70% afirmam que os professores usam recursos tecnológicos nas aulas pelo menos uma vez por semana. A inteligência artificial já aparece entre as ferramentas de estudo: 71% dizem usar IA com frequência ou às vezes. Ao mesmo tempo, quase um em cada três estudantes discorda que seus professores estejam bem preparados para usar tecnologia em sala de aula.
Entre quem estuda em tempo integral, 74% avaliam a escola como boa ou ótima, ante 68% dos estudantes do ensino regular; essa vantagem aparece nos anos finais do fundamental e no ensino médio. Entre os estudantes do ensino médio que não estão em tempo integral, 20% dizem trabalhar ou exercer atividade remunerada.
“Ouvir os jovens é fundamental para construir respostas mais conectadas à realidade das escolas e garantir condições para que cada estudante e futuro profissional avance em sua trajetória com qualidade, equidade e perspectivas concretas para o futuro.”
O levantamento evidencia prioridades claras dos estudantes—aprendizagem, formação técnica, tecnologia e tempo integral—e sinaliza desafios para políticas públicas: aumentar a oferta de educação profissional, qualificar professores para o uso de tecnologia e reduzir faltas docentes. Nas eleições e no início de novos mandatos, o resultado aponta para a necessidade de repactuação de compromissos e aceleração na melhoria dos indicadores educacionais.
