Levantamento do projeto Brasil Coração Saudável (SBC) identificou hipertensão em 28,3% e pré-hipertensão em 11,6% de jovens até 18 anos. Uma em cada três apresentou excesso de peso (19,5% sobrepeso; 13,6% obesidade).
Uma pesquisa nacional identificou que a hipertensão atinge 28,3% de crianças e adolescentes até 18 anos no Brasil, enquanto a pré-hipertensão alcança 11,6% dos jovens nessa faixa etária. O levantamento faz parte do projeto Brasil Coração Saudável, ligado à Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
O estudo aponta variação por faixa etária e sexo: a hipertensão é mais frequente entre meninos de 15 a 18 anos (40,7%) e em meninos com menos de 7 anos (39,1%). Entre os participantes avaliados, uma em cada três crianças e adolescentes apresentou excesso de peso — 19,5% com sobrepeso e 13,6% com obesidade.
Diferenças por faixa etária também foram observadas no excesso de peso: o sobrepeso é maior nas meninas de 11 a 14 anos (24,0%), enquanto a obesidade predomina nos meninos de 7 a 10 anos (17,1%). A associação entre peso e pressão arterial ficou evidente na amostra: entre os obesos, 48,4% apresentaram hipertensão, proporção que sobe para 60,5% nos obesos de 15 a 18 anos.
Estados pesquisados
- Minas Gerais: 2.973 crianças e adolescentes
- Rio Grande do Sul: 3.059 crianças e adolescentes
- São Paulo: 60 crianças e adolescentes
Entre 3 de junho e 7 de outubro de 2026, foram pesquisadas 6.092 crianças e adolescentes em 38 escolas desses estados. A coleta de dados incluiu aferição de pressão arterial e medidas relacionadas ao peso corporal e hábitos de vida.
O cardiologista Álvaro Avezum, membro da SBC e coordenador do projeto Coração Saudável, relacionou o aumento do risco cardiovascular à redução da prática de atividade física, à alimentação inadequada e a hábitos que elevam o estresse.
“Esses fatores, quando combinados, podem comprometer a saúde cardiovascular e aumentar a incidência de doenças cardiovasculares.”
Além dos indicadores de peso e pressão, o estudo detalhou comportamentos de lazer e atividade física: 59% das crianças e adolescentes ficam mais de três horas por dia em frente a telas; 66% fazem apenas uma a duas horas de atividade física por semana; e 93% praticam exercício na escola. Os aparelhos mais usados são o celular (86%) e a TV (80%).
Os resultados destacam um cenário de risco cardiovascular crescente entre jovens, com forte correlação entre excesso de peso, sedentarismo e pressão elevada. Especialistas envolvidos no projeto apontam para a necessidade de medidas que incentivem atividade física adequada e alimentação saudável desde a infância, além de monitoramento regular da pressão arterial nas escolas e serviços de saúde. O tema tende a seguir em pauta nas discussões sobre políticas públicas de saúde preventiva e programas escolares de promoção da saúde.
