quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Campanha de Lula aciona OEA e ANPD contra Meta por suposta interferência

Campanha de Lula aciona OEA e ANPD contra Meta por suposta interferência

por R2Sites

Publicado em 14/10/2026,

às 00h00

Camilo Santana diz que a equipe vai apresentar queixas a órgãos internacionais e ao regulador de dados após mudanças que reduziram o alcance no Facebook, Instagram e WhatsApp. A ação atende pedido do presidente e candidato à reeleição.

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará uma denúncia contra a Meta junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) por suposta interferência nas eleições brasileiras, anunciou a coordenação nesta quarta-feira (14).

Segundo Camilo Santana, coordenador da campanha, a iniciativa também incluirá representação à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e integra um pedido feito pelo próprio presidente e candidato à reeleição. A movimentação ocorre depois de medidas da empresa proprietária do Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp que, segundo a campanha, teriam restringido a entrega de postagens e alterado respostas de sistemas de inteligência artificial.

“Mais uma vez a campanha vem denunciar a interferência externa nas eleições e nós sabemos o peso que as redes sociais têm numa eleição presidencial”

Camilo Santana informou que a campanha se reuniu com partidos e entidades de defesa da democracia de 12 países para amplificar a denúncia internacionalmente. Entre os participantes estavam organizações da Argentina, Reino Unido, Chile, Estados Unidos, Espanha e Moçambique.

“Estamos representando junto à Agência Nacional de Proteção de Dados e também junto a organizações internacionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA), fazendo essa denúncia oficial”

Mais cedo, a campanha havia acionado o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao constatar limitações na entrega de conteúdos em plataformas da Meta. Testes realizados indicaram comportamento diferente do sistema de IA: ao pedir geração de imagem com as palavras “Lula” e o número 13, a resposta do sistema foi negativa.

“Não consegui gerar a imagem do panfleto que você pediu”

O mesmo comando, alterado para o nome e número de outro candidato, teria produzido um cartaz com referências explícitas a campanha. A campanha afirmou também que o perfil do candidato no Instagram teve temporariamente indisponíveis, por várias horas, os botões de repostar e de fazer story com conteúdo daquele perfil.

Em nota oficial, a Meta informou que proibiu a recomendação ou geração de imagens de candidatos como medida de cumprimento às regras eleitorais brasileiras.

“Em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil, nós proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens.”

O tema também cruza com normas eleitorais. A Resolução 23.755 de 2026 do TSE veda a provedores que oferecem inteligência artificial a prática de “ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidatas(os), campanhas, partidos políticos” e impede que essas IAs emitam opiniões ou indiquem preferência eleitoral.

Para o especialista em governança de IA citado pela reportagem, não é possível afirmar, apenas com os fatos apresentados, que houve intenção deliberada da empresa para favorecer qualquer candidato, mas mesmo falhas técnicas podem ter efeitos políticos e exigem explicações das desenvolvedoras.

“Precisamos de regulação e pesquisadores, jornalistas e instituições que entendam a tecnologia e consigam testar como ela funciona no nosso contexto. Não podemos ficar dependendo só da explicação das empresas que desenvolvem esses sistemas. É uma questão de soberania digital”

Organizações como a Federação Nacional dos Jornalistas já denunciaram queda de perfis ligados a mídias independentes em junho, e em setembro a conta de anúncios da campanha de reeleição foi desativada pela Meta sem explicação pública. Um levantamento da organização CTRL+Z documentou mais de mil casos de restrições e banimentos realizados pela Meta, dos quais 22% teriam ocorrido sem justificativa pública.

A campanha seguirá com a representação à ANPD e à OEA e aguarda posicionamentos do Tribunal Superior Eleitoral e da própria Meta sobre os episódios relatados. Matéria atualizada às 19h para acrescentar posicionamento da Meta.

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