Paris e outras cidades francesas adotaram medidas após distúrbios, saques e bloqueios no fim de semana. Protestos estudantis por mais verba na educação, há um mês, viraram confrontos que se espalharam pela Europa.
As prefeituras de Paris e de várias cidades francesas decretaram toque de recolher após protestos violentos no último fim de semana que se espalharam por outras capitais europeias. Os atos — que começaram como manifestações de estudantes por mais investimentos na educação —, há cerca de um mês, se transformaram em confronto entre governo e manifestantes.
O fim de semana foi marcado por distúrbios, saques a lojas, bloqueios de vias e confrontos com a polícia. Nesta segunda-feira (19), em Paris, manifestantes romperam barricadas e avançaram em direção à entrada do museu do Louvre. Autoridades municipais também anunciaram medidas em outras cidades: em Lille, o toque de recolher valerá por dois dias; em Marselha, aglomerações foram proibidas.
A mobilização não se limitou à França. Na Itália, o fim de semana registrou cenas de violência em Milão, onde a polícia entrou em confronto com manifestantes que atiravam pedras e saqueavam estabelecimentos comerciais. Mais de 60 pessoas foram levadas à delegacia para averiguação e 28 foram detidas.
Na Albânia, manifestações em Tirana concentraram reclamações sobre suposta corrupção governamental, escassez de empregos e precariedade do sistema educacional. A população também exigiu a renúncia do primeiro‑ministro Edi Rama, que rejeitou a ideia de deixar o cargo.
Em comunicado divulgado no domingo (18), o presidente francês Emmanuel Macron fez menção à responsabilização de quem praticar danos às propriedades e atacar as instituições.
“Quem destruir propriedades deve pagar pelo prejuízo. Aqueles que buscaram derrubar a República serão responsabilizados.”
Os sindicatos franceses convocaram uma nova rodada de greves e protestos para 5 de novembro, o que aponta para a possibilidade de novos episódios de paralisação e mobilização nas próximas semanas. Até agora, as autoridades não identificaram sinais claros de que a situação vá se estabilizar em curto prazo.
O quadro reúne demandas por melhorias na educação e críticas à deterioração de serviços públicos e ao aumento do custo de vida, temas que também aparecem nas manifestações de outros países europeus. A sequência anunciada de greves e atos em novembro será um indicador importante para mensurar se os protestos manterão a intensidade e a abrangência observadas até aqui, ou se as medidas de segurança adotadas pelas prefeituras trarão contenção às ruas.
O desfecho dependerá das decisões das administrações municipais, das ações do governo central e da resposta das organizações sindicais nas próximas semanas.
