Ana Elisa desativa conta no X após onda de ameaças durante campanha

Ana Elisa desativa conta no X após onda de ameaças durante campanha

por R2Sites

Publicado em 09/10/2026,

às 00h00

Ana Elisa Santos Silva (PT) deixou o X após receber ameaças de morte, estupro e mensagens racistas e machistas durante a campanha. Ela registrou queixa na Polícia Civil de Minas e diz que os ataques aumentaram após ida a Brasília.

A deputada federal eleita por Minas Gerais, Ana Elisa Santos Silva (PT), desativou sua conta na rede social X após receber ameaças de morte e de violência sexual durante o período da campanha eleitoral. Ela também denunciou as mensagens à Polícia Civil de Minas Gerais e relatou que os ataques incluíam conteúdo machista e racista.

Ana Elisa esteve, na quinta-feira (8), em Brasília para reforçar a campanha do candidato Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais, no segundo turno. A partir dessa data, ela relatou que seus perfis passaram a ser alvo de ataques coordenados. Em outra rede social, a deputada eleita afirmou que a equipe retirou a conta do ar diante da frequência das ameaças.

“Eu acredito que ninguém mereça sofrer ameaças de morte por estar politicamente engajado e tentando defender o que acha melhor para o país. O debate político para mim, nunca foi sobre isso. A minha equipe desativou a minha conta no Twitter, porque nós estávamos recebendo ameaças de morte a cada dois minutos. A ameaça de morte e ameaça de estupro”

A parlamentar informou ainda que se sentia “totalmente vulnerável” por ainda não dispor de escolta. Ela também divulgou o print de um e‑mail recebido em 5 de setembro em que o autor se dizia integrante de grupo de direita e supremacista branco Ku Klux Klan e afirmava que não tolerava mulheres pretas em espaços de poder, descrevendo intenção de estupro.

“Estou totalmente vulnerável”, disse a deputada eleita ao tratar da falta de escolta.

No pleito de 2026, Ana Elisa obteve 524.219 votos para deputada federal, ficando como a 2ª mais votada em Minas Gerais, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL). Com esse desempenho, ela passou a ser a mulher mais votada na história de Minas Gerais para a Câmara dos Deputados e a deputada federal mais jovem eleita no Brasil. Natural de Divinópolis, no centro‑oeste mineiro, ela é estudante de direito e atuava como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT‑MG).

A trajetória pública de Ana Elisa começou nas redes sociais, com vídeos sobre política, direitos sociais, racismo, feminismo e educação. Durante a campanha, chegou a quase 2 milhões de seguidores no Instagram; posteriormente, sua base de seguidores ultrapassou 3 milhões.

O caso se insere em um contexto mais amplo de violência política de gênero. Organizações da sociedade civil entregaram, no final de setembro, um documento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com diversas denúncias de violência contra mulheres candidatas nas eleições de 2026, que incluem agressões físicas, verbais e ameaças de morte e estupro. Dados apontaram que a violência política de gênero cresceu 11 vezes entre 2022 e 2026.

Onde buscar orientação e denunciar

  • Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180: atendimento gratuito, 24 horas; denúncias pelo telefone 180, pelo WhatsApp (61) 9610-0180, pelo e‑mail central180@mulheres.gov.br e por videochamada em Libras.
  • Ouvidoria das Mulheres do Conselho Nacional do Ministério Público: canais institucionais para registro e orientação.
  • Procuradoria‑Geral Eleitoral / Sala de Atendimento ao Cidadão do Ministério Público Federal: para encaminhamentos relacionados à violência política.
  • Ouvidoria Nacional da Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ): atendimento e orientações.
  • Polícia Federal: canal Comunica PF e delegacias de Polícia nos estados.
  • Grupo de Trabalho Mulheres da Defensoria Pública da União (DPU): assistência e orientação jurídica.
  • Emergência: acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

As medidas de investigação e proteção dependem de procedimentos policiais e judiciais. A continuidade das apurações e eventuais pedidos de proteção ou medidas cautelares seguirão os trâmites competentes nas esferas policial e eleitoral.

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