Levantamento com 3.732 municípios, realizado entre maio e agosto e divulgado em 7 de outubro de 2026, apontou índices preocupantes do Aedes aegypti. Ainda assim, os registros de dengue, chikungunya e zika caíram em relação a 2025.
O 2º ciclo do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) identificou que, entre os 3.732 municípios que encaminharam dados ao governo federal, 49,2% apresentaram índices compatíveis com situação de alerta ou de risco para a presença do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika.
O levantamento foi realizado entre maio e agosto e teve divulgação oficial em 7 de outubro de 2026. Apesar do cenário de infestação apontado pela amostragem, os registros de infecções mostraram redução em relação a 2025, segundo os dados apresentados.
Resultados principais
- 3.732 municípios encaminharam dados ao LIRAa.
- 49,2% dos municípios avaliados ficaram em situação de alerta ou risco.
- Período da coleta: maio a agosto de 2026; divulgação em 7/10/2026.
Queda nos casos de arboviroses
Os números consolidados até 26 de setembro de 2026 mostram queda nas três doenças:
- Dengue: aproximadamente 70% de redução nos casos prováveis em 2026 em comparação com o mesmo período de 2025 — 470,5 mil casos prováveis em 2026 contra 1,5 milhão em 2025.
- Chikungunya: queda de 43% — de 118.885 casos em 2025 para 67,9 mil em 2026 (janeiro a setembro).
- Zika: queda de 35% — de 3.724 para 2.141.
Principais criadouros
O LIRAa mapeou os tipos de recipientes que concentram focos do Aedes aegypti:
- 42,3% — vasos e pratos de plantas, garrafas e pequenos recipientes do dia a dia.
- 26,1% — reservatórios de água (caixas d’água, tonéis, cisternas).
- 23% — pneus e lixo ou resíduos sólidos (latas, garrafas PET, entulho).
Distribuição regional
- Norte: predominância de focos em pneus e lixo.
- Nordeste: predominância em caixas d’água e reservatórios para armazenamento de água.
- Sudeste, Sul e Centro-Oeste: predominância em vasos, pratos de plantas, garrafas e recipientes domésticos.
Com esses achados, os agentes de vigilância epidemiológica das prefeituras poderão direcionar medidas de controle conforme a realidade de cada município — inclusive nas cidades da Bahia, que deverão ajustar suas ações locais a partir dos indicadores.
Ações anunciadas e tecnologias
Foram divulgadas medidas e tecnologias adotadas ou ampliadas para reduzir o risco de transmissão das arboviroses, com foco no próximo verão, quando condições climáticas e temperaturas favorecem a multiplicação do mosquito. Entre as medidas destacadas:
- Formação de mais de 300 mil Agentes Comunitários de Saúde (ACS) até o fim de 2026, para realização de visitas domiciliares, orientação e identificação de riscos.
- Atuação de Agentes de Combate às Endemias (ACE) na prevenção, identificação e tratamento de criadouros que não podem ser eliminados.
- Uso de ovitrampas para coleta de ovos e mapeamento, adotadas por cerca de 2 mil municípios.
- Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI-Aedes) em locais de grande circulação como escolas e unidades de saúde.
- Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL), que usam a fêmea do Aedes para espalhar larvicida em criadouros de difícil acesso.
- Método Wolbachia, estratégia biológica que emprega uma bactéria que impede o inseto de transmitir vírus.
Papel da população
O levantamento reforçou que a prevenção depende também da atuação dos moradores. As orientações divulgadas incluem:
- Manter caixas d’água, tonéis e cisternas bem tampados e guardar garrafas e baldes virados para baixo.
- Limpar calhas e ralos das moradias.
- Dar destino correto a pneus, latas, plásticos e entulhos.
- Eliminar água acumulada em vasos e pratos de plantas.
O avanço do fenômeno climático El Niño foi apontado como elemento a ser monitorado, já que altera padrões de chuva e temperatura e pode elevar o risco de transmissão. A expectativa é que estados e municípios usem os dados do LIRAa para antecipar ações e reduzir a circulação do mosquito antes e durante o período de maior risco.
