Incertezas: IOF e tarifaço são “carga dupla” ao câmbio, dizem especialistas

por Redação

Publicado em 21/07/2025,

às 07h54

Especialistas alertam para o impacto combinado do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e das tarifas impostas por Donald Trump sobre o Brasil, criando uma “carga dupla” para a economia, especialmente no mercado de câmbio. A imprevisibilidade gerada por essas medidas levanta preocupações sobre a estabilidade regulatória e a competitividade do país, afetando diretamente o humor dos investidores.

Segundo Andrea Feitosa, advogada tributarista da Martorelli Advogados, as medidas afetam a previsibilidade jurídica e a estabilidade regulatória do país. Roger Amarante, CFO da S8 Capital, complementa que os riscos jurídicos e institucionais somados ao aumento dos custos operacionais tornam o Brasil um ambiente de investimento mais arriscado. “Investir no Brasil se torna uma das decisões mais arriscadas e incertas no momento”, pondera Amarante.

A decisão sobre o IOF, restaurada pelo STF após ser derrubada pelo Congresso, e o tarifaço de Trump afetam diretamente o fluxo de moedas estrangeiras no país. Guilherme Viveiros, assessor de investimentos da WFlow, destaca que o impacto já é sentido no setor agroexportador, com empresas discutindo demissões e paralisando linhas de produção. “Os impactos já estão sendo sentidos fortemente no setor agro exportador [aos EUA]”, afirma Viveiros.

O aumento do IOF impacta diversas operações, desde seguros de vida até operações de câmbio, elevando custos tanto para empresas quanto para pessoas físicas. Graziela Fortunato, professora da Escola de Negócios da PUC-Rio, explica que até mesmo empréstimos no Brasil ficarão mais caros. “Se você fizer uma compra em um site internacional, o frete e o produto em si devem ficar mais caros por causa desses aumentos”, analisa Fortunato.

Raissa Florence, diretora da Oz Câmbio, avalia que estamos diante de gatilhos simultâneos que agravam a instabilidade da economia. André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, pondera que o governo busca novas receitas, o que pode impactar a trajetória das despesas primárias. Contudo, Galhardo destaca que parte dos impactos já foram precificados e a tendência é de a incerteza se dissipar no curto prazo, com melhora nas expectativas de inflação. Ele conclui: “O cenário é relativamente benigno no curto prazo.”

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