O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Nunes Marques, determinou neste domingo (11) a suspensão do canal “Exército do Lula” no WhatsApp, que soma mais de 3,3 milhões de seguidores. A Meta, dona do aplicativo, recebeu prazo de três horas para interromper o envio de atualizações e a entrada de novos participantes. A suspensão valerá até a homologação do resultado do segundo turno das eleições de 2026.
A medida atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, do PL, que acusou o canal de disseminar desinformação. Segundo Nunes Marques, a decisão buscou impedir o uso de uma ferramenta de comunicação para disseminar, em massa e às vésperas das eleições, conteúdos que o TSE já reconheceu como inverídicos.
Além da ordem de suspensão imediata, o ministro determinou que a Meta apresentasse, em 48 horas, um relatório com todas as mensagens publicadas no canal, inclusive aquelas que foram excluídas posteriormente. O prazo e o teor das informações solicitadas à empresa fazem parte das diligências para apurar a circulação de conteúdo considerado problemático pelo tribunal.
O criador do canal, o deputado federal André Janones, classificou a decisão como censura e divulgou mensagem aos seguidores no momento da suspensão.
“Gente, eles conseguiram, o canal Exército do Lula sairá do ar em uma hora. Senta o dedo, explode esse vídeo para a gente denunciar. Denunciar que não é que se o Flávio Bolsonaro for eleito, a censura vai ser instalada. Já começou, a censura já começou, só que eles vão sentir agora a força de 3,3 milhões pessoas unidas. Nós não vamos nos calar, nós vamos continuar. Eles me proibiram, inclusive, de criar outro canal, sem nenhuma argumentação, nenhuma, nenhuma, nenhuma. Quem está lá no canal, está vendo que a gente não começou a divulgar nada lá praticamente ainda. Começamos só de ontem para hoje, mas essa eles venceram. Eu quero dizer o seguinte para vocês: vocês venceram a batalha, mas a guerra vocês não venceram.”
Em ato na Avenida Paulista, o ex-presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, também criticou a decisão e afirmou que o partido vai recorrer. Em discurso público, ele questionou o papel da Justiça Eleitoral na regulação das redes e anunciou ação judicial para tentar reverter a ordem.
“Nós não vamos permitir que esteja fechado um canal de um deputado que está pedindo para as pessoas que querem votar em mim, estar participando de um canal do Exército do Lula. Ora, não é possível, não é possível que o Tribunal de Justiça Eleitoral não queira um comportamento civilizado e republicano, de permitir que as eleições fluam sem interferência da Justiça. Eu vejo que nas redes sociais nós estamos ganhando o jogo, e é por isso que eu estou desconfiado do comportamento da corte eleitoral, que tem bloqueado muita gente nossa e tem permitido que as ações deles continuem a fluir. Nós vamos hoje, sabe, entrar na justiça com o pedido do nosso partido, da nossa força, para que a gente equilibre esse jogo. Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral na eleição.”
O caso se insere no debate mais amplo sobre o papel das plataformas digitais e do Judiciário no período eleitoral. Nos últimos anos, autoridades e campanhas têm recorrido à Justiça para restringir canais e conteúdos apontados como desinformação, enquanto atores políticos denunciam risco à liberdade de expressão. A determinação do TSE terá efeitos práticos imediatos se a Meta cumprir a ordem no prazo estabelecido e pode influenciar ações semelhantes até a homologação do resultado do segundo turno de 2026.
O cumprimento da decisão pela Meta e os passos judiciais anunciados pelas partes serão os próximos capítulos a serem acompanhados. A exigência do relatório em 48 horas aponta para uma investigação mais detalhada sobre o conteúdo compartilhado no canal e possíveis responsabilizações, enquanto recursos e impugnações judiciais devem definir se a suspensão será mantida ou revertida.
