Campanha registra 134 casos de violência política em 50 dias

Campanha registra 134 casos de violência política em 50 dias

por R2Sites

Publicado em 08/10/2026,

às 00h00

ONGs registraram 134 casos de violência política nos 50 dias de campanha, uma média de um episódio a cada nove horas. Houve duas mortes, 11 atentados e prevaleceram ameaças, ofensas e agressões físicas.

Durante os 50 dias de campanha do primeiro turno das eleições de 2026, o Brasil registrou 134 casos de violência política — uma média de um episódio a cada nove horas entre 16 de agosto e 4 de outubro.

O número superou os 121 casos contabilizados no primeiro turno de 2022. A pesquisa que levantou os dados foi realizada por organizações não governamentais e mapeou ameaças, ofensas e agressões físicas como as ocorrências mais recorrentes no período.

Os episódios incluíram dois assassinatos — um vereador e um secretário municipal — e 11 atentados. A maior parte dos casos ocorreu durante atividades de campanha ou em eventos públicos, mas o ambiente virtual concentrou 31% das ocorrências registradas.

Mais da metade das vítimas foram mulheres. Além disso, 76% dos episódios foram direcionados a candidatos, com a maioria desses casos envolvendo mulheres.

A violência não pode ser tratada como parte natural da disputa eleitoral. Quando as ameaças e os ataques são usados para intimidar candidatura, impedir as atividades de campanha e silenciar propostas, o direito à participação política é muito afetada. Então cabe as instituições garantir que a violência não determine quem vai poder participar ou não do jogo eleitoral, ocupar ou exercer cargos de poder.

Entre os estados com maior número de ocorrências estiveram São Paulo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. No recorte temporal mais amplo, entre outubro de 2024 e agosto de 2026 — período pré-eleitoral — foram registrados 354 episódios de violência política.

Os homens são atacados por sua atuação política. Já as mulheres, as pessoas negras e trans enfrentam também o machismo, o racismo e a transfobia que estrutura a sociedade brasileira. E quando essas formas de discriminação se cruzam, reforçam e ampliam as barreiras que impedem a participação política tornando ainda mais difícil o acesso e a permanência de grupos historicamente vulnerabilizados em espaços de poder.

Os dados apontaram, de forma clara, um aumento em relação ao pleito anterior e acendem alerta sobre o impacto da violência na democracia: quando ameaças e agressões passam a condicionar quem pode participar ativamente do processo eleitoral, a igualdade de condições entre candidaturas fica comprometida.

Publicada em 08/10/2026, a pesquisa oferece subsídios para avaliação de medidas de proteção a candidaturas e para a atuação de órgãos de segurança e Justiça nas fases seguintes do processo eleitoral. A responsabilização e a prevenção foram destacadas pelas organizações que compilaram o levantamento como passos necessários para reduzir a ocorrência de novos episódios.

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